No artigo anterior, intitulado Manual da Cachola, tratamos da experiência subjetiva que cada um de nós acumula durante toda nossa vida e sua forte influência na interpretação do mundo em que vivemos. Descobrimos que cada pessoa capta, processa e armazena os estímulos provenientes dos sentidos de modo diferente, construindo seu próprio mapa da realidade. Agora, vamos avançar um pouco mais sobre como podemos explorar nossa cachola, estudando a relação entre nossas crenças e nossos pensamentos, sentimentos e ações.
Muitos já devem ter ouvido a frase “é preciso ver para crer” atribuída a São Tomé, ou Tomás, um dos apóstolos de Jesus Cristo. Ele teimava em não acreditar na ressurreição de Jesus e exigiu sentir suas chagas antes de se convencer. Se você lidera um time, empresa, família ou grupo social não fique irritado se o jogador, funcionário, filho ou amigo não acredita em tudo o que você diz, pois Jesus tinha um time de 12 apóstolos, dentre os quais um que o traiu e outro que não acreditava no que ele dizia. E você, concorda com São Tomé e só acredita naquilo que vê? Quais são suas crenças?
Em resumo, crença significa tudo aquilo em que você acredita. Sua função é assegurar nossa representação interna da realidade (nosso mapa) e nossa própria identidade. Se você acredita que terá sorte batendo na madeira três vezes, pulando a onda sete vezes ou comendo vinte ervilhas, essa é sua crença. Se você é cético e não acredita em nada que não tenha uma prova científica, essa é outra crença e ponto final. Se você acredita que os raios são um castigo de Tupã, que Elvis está vivo ou que você mesmo é o novo salvador da humanidade, não importa, tudo o que você acredita é sua crença.
As crenças surgem desde a infância. São adquiridas, inicialmente, dos pais, professores, religiosos, amigos e pessoas que exerceram ou exercem alguma influência sobre nós. Todas as experiências passadas e o ambiente em que vivemos influenciam sobremaneira as nossas crenças.
Imagine duas crianças chamadas César e Sebastião tendo um contato com uma lagoa pela primeira vez. As duas engolem água. Nada mais natural. Mas, a mãe de Sebastião morre de medo de água e só está ali porque seu marido a obrigou a levar seu filho para brincar. Na primeira engolida, ela esbraveja e grita para todos ouvirem: “Tá vendo! Água mata e é perigoso. Eu avisei! Meu filho fique longe de água”.
Já os pais do pequeno César ao observarem que ele engoliu água, agiram naturalmente e o encorajaram a continuar. “Normal, filho! Só precisa manter a boquinha fechada e bater os bracinhos para que nada aconteça” – diz a mãe de César. Quem você acha que pode se tornar um campeão olímpico de natação nos 100 metros? César ou Tião?
Digamos que Tião tenha ótimas condições financeiras e César seja um filho de pescadores muito pobres. Os pais de César dizem que ele não nasceu para ser rico e que de sua vila jamais sairia um campeão olímpico. Ele cresce acreditando que no máximo será um pescador de lagosta, pois tem um fôlego invejável. Tião, por sua vez, tem um pai que lhe ensina a ser um campeão em vários esportes. Tião é um campeão por natureza. E agora, quem pode se tornar um campeão olímpico de natação nos 100 metros? César ou Tião?
Tudo depende do que você crê! Tudo depende do que César e Tião creem! São Tomé só acreditaria em Tião ou César quando os visse recebendo a medalha de ouro. Eu citei apenas duas crenças (“água mata” e “pobre não tem vez”). Você pode imaginar a quantidade de crenças que alimentamos em nosso inconsciente? Você conseguiria descobrir quais são as crenças que foram herdadas de sua família, amigos, sociedade, enfim, do meio em que vive?
Nossas crenças podem nos limitar ou nos impulsionar na vida. Não existem crenças certas ou erradas, melhores ou piores, superiores ou inferiores. Costumo respeitar todas as crenças, pois cada uma é importante em algum contexto. O que acontece muitas vezes é que estamos usando uma determinada crença certa num contexto errado ou não usando a crença certa em todos os contextos da vida. Algo como girar um parafuso com um martelo.
Se Tião observar que o fato de ele ter engolido água quando era criança não significa que ele engolirá água ao entrar na piscina e, principalmente, que o medo da água não é seu, mas de sua mãe, terá grandes chances de aprender a nadar. Daí a se tornar um nadador olímpico, vai depender de sua aplicação diária e comprometimento, pois ele já tem dentro de si a crença de que é um campeão. César, por sua vez, precisará crer que pode se tornar um campeão de natação e sair de sua vila de pescadores. Ele poderia usar sua crença na pobreza para não perder a humildade e simplicidade ao se tornar campeão.
O que precisamos saber é que existem, sim, crenças limitadoras e crenças impulsionadoras. Como você é fruto de suas crenças, se você diz: “nunca conseguirei fazer isso”, “não sou capaz”, “eu nasci para sofrer”, “não vou me casar”… sua vida estará limitada a essas crenças e fatalmente você não obterá muito sucesso porque nasceu para sofrer e é incapaz de se sentir amado. Como você crê fortemente nisso seu inconsciente produzirá o resultado que você espera.
Se você atentar para suas crenças, observará que boa parte delas não é sua ou jamais deveria sê-lo. Pergunte a si mesmo: Por que acredito nisso? De onde veio essa crença? Quem disse isso? Em que áreas de minha vida sou muito bom no que faço? Quais são as crenças que vêm à minha mente quando estou fazendo algo espetacular? Quais são as crenças de pessoas bem-sucedidas? Quais crenças eu posso cultivar no lugar das que me limitam?
Não importa se você vê para crê, ou crê para ver, mas saiba que você é do tamanho de suas crenças. Eu só lhe peço que creia nisso. Observe suas crenças, ou seja, avalie atentamente tudo o que você pensa, faz e sente. Observe atentamente o que te faz achar que pode ou não conseguir algo. Creia em crenças impulsionadoras, pois são poderosas, e repense as que limitam seu sucesso. Essa é a primeira lição do Manual da Cachola. Nos próximos artigos abordaremos algumas dessas crenças. Creia e cresça! Comece pela crença de que você pode ser feliz e bem sucedido. Crença não é quando alguém pensa por você, mas quando você pensa por si mesmo.
Eu creio em você!
15/02/2012
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Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas. Practitioner em PNL (Programação NeuroLinguística). Realiza conferências e palestras sobre Vendas, PNL e Motivação. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Conferencista em eventos realizados pela FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança privada do país. Articulista em diversas revistas e jornais do Brasil. Autor dos livros: Vendendo Segurança com SEGURANÇA e CONFIDENCIAL – Coletânea de Artigos Sobre Segurança.




